Paraná registra quase 2 mil casos de estupro em 181 dias; em Curitiba são 262
- Por Revista ASSESP

- 25 de set. de 2014
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Nos primeiros seis meses de 2014, de acordo com dados da Secretaria de Segurança do Estado, o Paraná registrou um total de 1938 casos de estupro, uma média de 10,7 por dia. O crescimento em dois anos também chama a atenção, foram 200 a mais que no mesmo período 2012. Em Curitiba, nos mesmos 181 dias, foram 262 casos (1,4/dia), contra 224 e 252 em 2012 e 2013, respectivamente. Mas, de acordo com a Delegada Titular da Delegacia da Mulher de Curitiba, Daniela Antunes Andrade, os números não são motivo de alarde.
“Antes da Lei Maria da Penha, era muito raro uma mulher vir denunciar o marido por estupro. Com a divulgação, dela todas as medidas mais drásticas com que esta lei trata a violência doméstica, a gente teve um aumento nestas denúncias, e elas estão inclusas nestes dados”, isso porquê, o Boletim de Ocorrência Unificado não separa este tipo de violência das demais. Além disso, também vale ressaltar, segundo ela, que a estatística do B.O não é necessariamente um número real, pois o caso será investigado e muitos deles não são constatados.

O fato é que os estupros têm ocorrido e é um tipo de crime difícil de ser combatido, uma vez que o estuprador é um criminoso que age por oportunidade. “É muito difícil ele escolher a vítima ou um biotipo específico, ele escolhe oportunidades. ‘Se a mulher está em uma rua escura, vazia, ele viu a chance, ele aproveita”, explica a Delegada. Ela recomenda que algumas das atitudes afastam a chance de ocorrência deste tipo de crime são: sempre buscar andar em lugares iluminados, com mais pessoas, aproveitar movimentos ou sair em grupos, além de procurar por pontos de ônibus que têm mais gente. “Tomar mais cuidado com a segurança pessoal”, explica.
INVESTIGAÇÃO X CONSTRANGIMENTO: Uma das grandes dificuldades de se investigar um crime de estupro é o constrangimento da vítima em contar do acontecido ou mesmo de fazer exames. Mas ambos são indispensáveis e devem ser feitos imediatamente após a ocorrência. “É muito importante que a vítima procure um dos hospitais de referência: as vítimas acima de 12 anos devem procurar o Hospital das Clínicas ou o Evangélico, no caso das crianças é o Hospital Pequeno Príncipe; para que elas recebam as assepsias de emergência”, afirma a delegada.

Isso é necessário para que, em um prazo de 72 horas, a vítima possa ter administrado um coquetel de remédios com o intuito de evitar doenças sexualmente transmissíveis e uma eventual gravidez resultante desse ato. “Para a delegacia e a investigação, nesse prazo é muito importante que a vítima não tome banho, se possível e se ela conseguir, por causa do exame de corpo de delito. A gente acha o sêmen do autor nela e nas suas vestes, pedimos que ela traga a roupa, a gente apreende e manda para o IML (Instituto Médico Legal)”, comenta Daniela.
A delegada titular faz questão de reforçar que a Delegacia da Mulher é uma delegacia especializada, onde a vítima vai receber um atendimento que vise a minimizar os sofrimentos e os constrangimentos de um crime como esse . “A escrivã é mulher, cada equipe de investigadores tem ao menos uma mulher e a gente prioriza o atendimento da violência sexual por mulheres. Além disso, os investigadores que costumam fazer o local e que acompanham a vítima são muito cuidadosos e sempre vão com a escrivã, para não deixar a mulher constrangida”, explica.

Como a Delegacia trabalha em parceria com estes hospitais, as mulheres que os procurarem também evitam o constrangimento de fazer mais de uma vez os exames de corpo de delito. “Quando ela chega em desses hospitais, a instituição já entra em contato conosco, nós passamos a requisição dos exames por fax, o IML vai até o hospital, recolhe os exames, a vítima não precisará ir até o IML em um segundo momento”, comenta Daniela.
CRIMINOSOS - Quem são os principais estupradores? Depende, “há de tudo um pouco. Apesar disso, o estupro de autoria desconhecida não é comum, é difícil de acontecer”, explica a delegada titular. Um dos motivos para isso é justamente o fato de ele agir por oportunidades. “Tendo sucesso numa primeira ou numa segunda tentativa, ele acaba praticando em série. Nessas épocas, a gente tem um aumento desse tipo de denúncia. Mas, assim que ele é preso, diminui novamente, não é um crime que temos notícias quotidianamente, felizmente”, afirma.
DELEGACIA DA MULHER DE CURITIBA - É responsável por investigações de crimes contra as mulheres, quando estes ocorrem na capital. De acordo com a delegada, em algumas cidades, que têm delegacias da mulher, são elas que vão fazer as investigações; se não, há subdivisões e delegacias maiores têm setores para estes casos e nas menores são as próprias delegacias regionais que o fazem. A Lei Penal diz que a atribuição do inquérito é de responsabilidade da delegacia do local do fato.
Em Curitiba, a unidade está localizada na Rua Padre Antônio, 33 - Centro Cívico e tem atendimento 24 horas. Também é possível entrar em contato por telefone (41) 3219-8600 ou por email: dpmulhercapital@pc.pr.gov.br.
Texto, fotos e Infográficos por Idionara Marina Bortolossi - Jornalista ASSESP









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